Raridades históricas em fotos
Agosto 8, 2009, 11:23 pm
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Eis um baú, com raridades históricas, que acaba de ser aberto, na Internet.

De um acervo, com alguns dos flagrantes fotográficos mais importantes, dos últimos 150 anos, a revista norte-americana Life, que não circula mais em papel, inaugurou um serviço com 2 milhões de fotos do seu arquivo (o projeto prevê mais 8 milhões).

Em parceria com o Google ( http://images.google.com/hosted/life ) permite, por meio de buscas, acessar registros feitos desde 1860, como um flagrante de Alberto Santos Dumont, sobrevoando Paris ou um retrato de Lenin datado de 1918.



Agosto 3, 2009, 6:52 pm
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19 de agosto – dia Mundial da Fotografia

Da Profissão de Fotógrafo e seus Envolvimentos

O fotógrafo é, antes de tudo, um ser incômodo.

Talvez porque as pessoas lhe atribuam uma capacidade mágica e reveladora, por isso mesmo indesejável.

Tratado como um inconveniente que se apropria de pedaços de vidas alheias é, também, olhado como alguém capaz de congelar momentos felizes ou reter belezas que, por um instante fugaz, iluminaram faces opacas ou lugares banais.

Rejeitado, aceito; abominado ao mesmo tempo que necessário; empurrado pela polícia, cortejado pelos poderosos que tentam traficar uma imagem generosa; o fotógrafo transita, o tempo todo, em um emaranhado de ambigüidades.

Quando anda pelo mundo em busca de objetos de denúncia, como opressão, miséria, guerras ou qualquer coisa dessa natureza, é tratada como se fosse um aproveitador dessas ocorrências e, de algum modo, seu estimulador pela divulgação que lhes dá.

Essa culpa lhe é imputada porque as pessoas prefeririam ignorar a existência desses fatos, pois sentem-se cúmplices por força de sua indiferença.

Mas o fotógrafo não é um abutre da história, apenas mostra pessoas e personagens, habitantes de um universo confuso e hipócrita. Ele assumiu um compromisso de legar referências ao futuro, mesmo que incompletas e fragmentadas.

É necessário acreditar-se na existência de justos, capazes de entregar suas vidas ao serviço de causas que consideram dignas.

Nenhuma profissão é um agrupamento de santos ou um valhacouto de canalhas, mas a existência de um único puro, crente fervoroso da seriedade e importância de seu trabalho, redime e faz respeitável a profissão.

A atitude de fotógrafo que se dedica a fotografar miséria, opressão e guerra não em diferente da de qualquer outra pessoa que, valendo –se de seu caminho de expressão – seja poeta, teatrólogo, cientista ou músico – empresta sua contribuição a uma luta maior em favor da inteligência e contra a desigualdade e o sofrimento desnecessários. Faz parte com o seu compromisso com a vida que, mesmo absolutamente sincero, será sempre posto em dúvida e olhado com desconfiança.

A existência do prazer lúdico em afazeres de tal natureza pode parecer condenável quando, na verdade, é um item inerente a todo processo envolvendo procura e descoberta.

O componente lúdico é a razão principal da animação de qualquer fazer. Ele existe sempre e o prazer da busca, do desenvolvimento do desconhecido e da descoberta, está presente independente da essência da questão abordada, , seja ela a pesquisa para cura de uma doença, a filmagem da fome na Etiópia, a regência de uma orquestra ou um VT sobre carnaval.

O componente lúdico não pode ser julgado a partir de razões de ordem moral, mas explicado pela alegria que há na busca e no encontro de soluções para problemas, sejam de que origem forem.

Sua existência deve ser considerada como um dado permanente, mas não pressupõe felicidade pelo envolvimento e simultâneo afastamento- uma espécie de invulnerabilidade diante das dificuldades alheias – pois, ninguém pode, de sã consciência, estar feliz com desgraças e sofrimento, mas pode experimentar alegria por ter privilégio de ser o instrumento eficaz para denunciá-las.

O caráter lúdico do fazer significa um envolvimento visceral com o trabalho e pode, ao mesmo tempo, ser, por parte do autor, o reconhecimento da grandeza de seu compromisso. O fotógrafo está sempre procurando descobrir o desconhecido, revisitar a vulgaridade, resgatar uma importância não recebida e doar aos outros o resultado de suas investigações.

A fotografia não resulta em detritos, mas em extratos que se tornam, uma vez organizados de forma coerente, indicativos preciosos para o entendimento do permanente enigma que é a vida.

A fotografia assusta porque é capaz de suspender a ação em frações mínimas de tempo e isso incomoda as pessoas, pois podem aparecer de forma não coincidente com a idéia favorável que fazem de si mesmas.

A fotografia pode, também, revelar uma face indesejável do poder, sempre zeloso em mostrar uma segurança inexistente . Ela pode eternizar a ferocidade de seus sicários que procuram parecer suaves e justos, pois até mesmo os carrascos não estão muito convictos de seu papel e tem pudor.

Atribui-se à fotografia, com uma frequência inquietante, algum tipo de compromisso com a beleza, quando na verdade seus vínculos estão no âmbito da força de expressão.

A confusão existente em torno da idéia de beleza, com relação aos resultados de ações expressivas, deve-se, não ao fato dela existir verdadeiramente, mas à força com que somos tocados por uma extraordinariamente bem sucedida organização de linguagem e que resultou adequada às intenções do autor.

Essas emoções não se resumem, sempre, em choques brutais, mas transitam, em razão do assunto tratado, por todo o universo da sensibilidade humana. Variando desde a raiva solidária com os injustiçados ao suave enlevo com a visão de uma paisagem em terras inalcançáveis ou mesmo com a perplexidade diante de ambigüidades deliberadamente postas para nos iludir e animar nossa curiosidade.

A fotografia reflete seu tempo, põe questões e mostra absurdos de uma época. Não dá respostas, mas espelha indagações e, muitas vezes, indícios de mazelas.

Mostra as doenças e não a cura. Doenças incômodas que gostaríamos não existissem, mas, uma vez reveladas, fazem pressupor responsáveis.

A fotografia multiplica-se em referências que, se corretamente avaliados, ganham importância para entender o tempo. Tempo veloz e confuso onde é grande a premência de respostas e, para isso, precisamos nos valer de todos os meios capazes de ampliar o envolvimento do maior número possível de pessoas, comprometendo-as com a busca corajosa de soluções mais compatíveis com uma vida digna.

As questões do mundo, de há muito, deixam de interessar, apenas, aos diretamente nelas enredados. A intolerância e a intransigência são animadas a níveis de igualmente perigosos para todos.

A informação tem que correr livre, capaz de transformar cabeças e atingir as sensibilidades, pondo em dúvida a respeitabilidade das alegorias que detem o poder e que decidem com incompetência.

Devemos atuar, sempre, na esperança de que protelando o risco estaremos ganhando tempo para ver a sensatez reaparecer.

Andrew Halbrooke – Somália 1992



Julho 25, 2009, 2:55 pm
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Pairo no ar ao silenciar meu canto.
O voo sai da garganta, e não das asas.

(Carpinejar)



São João no Mato do Tição

Mato do Tição, também conhecida por Matição, é uma comunidade de negros, distante 4km da sede de Jaboticatubas. Ali impera uma tradição das mais antigas de nossa terra: O passar na fogueira de São João.

A festa se reveste de um ritual peculiaríssimo e que vem passando de geração a geração. Com a morte de João Pinto, a festa continua a ser organizada pela viúva, Divina de Siqueira.

A comemoração se realiza na noite de 23 para 24 de junho, quando se celebra o dia de São João. A programação tem pontos fixos e os horários costumam ser seguidos com rigor.

Às 22h30min, inicia-se a reza em homenagem a São João e em intenção dos donos da casa.

Às 23h30min, é levantado o mastro com a bandeira de São João. Este levantamento é feito ao som do “Candombe” que é uma dança de origem africana, onde é invocada a proteção do Santo e de Nossa Senhora. Todos dançam e cantam: homens, mulheres, crianças, jovens e velhos. Segundo os organizadores, as letras dos cantos são originadas do latim. O que se nota é que a letra, hoje, se tornou indecifrável, naturalmente pela percepção dos transmissores e receptores da tradição oral em sua simplicidade. Além da sua beleza rude e primitiva, as danças e os cânticos são acompanhados por instrumentos característicos. Usa-se o Tambú, a Caixa, o Guaiá e a Puíta. As evoluções são feitas através dos gingados do corpo, acompanhados pelo ritmo quente e místico da marcação.

À meia noite, vem a parte característica, curiosa e impressionante da manifestação. A fogueira é desfeita e as brasas vivas espalhadas pelo chão, formando uma esteira chamejante de vários metros de comprimento. Inicia-se o ritual, que antes de ser uma manifestação de exibicionismo, pretende ser uma manifestação de fé. Depois de se benzerem gritando “Viva São João”, passam sobre a passarela de brasas . Em seguida, passam os parentes, amigos e todos que se sentirem dispostos e com fé suficiente. Durante toda a passagem o “Candombe” continua com seus cantos e danças.

Depois que todos os corajosos passam, a brasa é novamente ajuntada e o “Candombe” dá lugar ao Batuque. O Batuque é também uma dança africana que difere do “Candombe” nos instrumentos e por ser uma dança de casais.



Festa do Divino
Junho 1, 2009, 6:16 am
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Vou postar as fotos antes da Procissão, que aconteceu à tardinha,
neste último domingo de maio, em Lagoa Santa.
Depois dela é outra história. Um outro álbum.
Beijei o “meu Divino”, tanta fé, tanto amor,
há de ter abençoado também os registros que fiz.
Mais uma vez, a presença do Candombe, a manifestação mais antiga
antes mesmo dos congados…
O Candombe da Várzea e de N.Sra. do Rosário (que lá estiveram), se funde aos candombes do Matição (Jaboticatubas) e do Açude (Serra do Cipó). Todos remanescentes de quilombo, alguns, de quilombo mesmo.
Encontrar os três numa roda de fogueira é o máximo do máximo. Ainda os verei!
Mas todos eles tem o seu valor, inda mais que atiçam o fervor de cada um,
e a roda roda e tem sempre quem bata um tambor ou cante ou dance, enfim tocando, dançando e vivando os santos.
Só vendo para entender e sentir os anscestrais, com respeito e fervor, cantinando aos pés do Santo.
Experiência sem par.
Seguem as fotos sem muita ordem.
Só registros do que vivenciei.

divino lagoa (14)

tem mais aqui:

http://consueloabreu.multiply.com/photos/album/14/Festa_do_Divino



Maio 21, 2009, 7:37 pm
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“viver é super difícil
o mais fundo
está sempre na superfície”

(Paulo Leminski)




saravá, aruê meu povo!
Maio 18, 2009, 12:15 am
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28ª Festa do Dia do Preto Velho

17 de maio, Belo Horizonte, MG

“Quando os caboclos trazem as folhas da jurema
E os pretos velhos trazem arruda e guiné

Eles vem trabalhar na lei de Umbanda
Tem licença de Aruanda
Pra salvar a quem tem fé.”


Veja mais em
http://consueloabreu.blogspot.com/



pedido de adoção
Maio 14, 2009, 12:44 pm
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Estou com muita saudade
de ter mãe,
pele vincada,
cabelos para trás,
os dedos cheios de nós,
tão velha,
quase podendo ser a mãe de Deus
- não fosse tão pecadora.

Mas esta velha sou eu,
minha mãe morreu moça,
os olhos cheios de brilho,
a cara cheia de susto.

Ó meu Deus, pensava
que só de crianças se falava:
as órfãs.”

(Adélia Prado)




SI
Maio 13, 2009, 12:17 am
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“Se a música não nos unir
até o amor vai nos separar”

(Malluh Praxedes)



ato fotográfico
Maio 8, 2009, 1:21 pm
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Foram ao casamento com o mesmo vestido!
Ivan de Almeida
abril de 2008

Duas mulheres foram a uma festa. Quando uma delas chegou, encontrou a outra usando o mesmo vestido. E o vestido era bonito, vistoso, não dava para disfarçar… todos repararam.

Uma copiou a outra?

Não. Só, por acaso, compraram na mesma loja do bairro onde moravam.

Um fotógrafo posta uma imagem em um site de fotografia. Outro posta uma foto quase idêntica. Variações derivadas de 1/3 de ponto de fotometria, talvez, pequenas diferenças de enquadramento, e um a fez com uma DSLR, outro com uma superzoom (isso aconteceu de verdade hoje). Um alega que a fez antes e o outro a teria visto no LCD da câmera, mas o Exif do outro informa horário 4 minutos antes…

No debate, inevitável, foi mencionado ambos terem feito o mesmo passeio fotográfico, e o enquadramento da foto em ambos os casos apenas descrevia o objeto. De frente, plano, chapado. Abordagem direta. Um copiou o outro?

Ou trata-se de um caso no qual ambos entregaram a responsabilidade de sua fotografia ao objeto fotogênico? Ou seja, compraram os mesmos vestidos porque a loja os fez iguais …

Uma fotógrafa, amiga, mostrou certa vez uma foto. No site em que mostrou, foi elogiada, e coisa e tal. Disse a ela que sua foto era demasiadamente dependente do objeto. O objeto interessante criava interesse para a foto. Ela reclamou de minha observação, mas cerca de uma semana depois veio me contar que outra fotógrafa, no mesmo passeio fotográfico realizara uma foto praticamente idêntica. Inicialmente aborreceu-se com a outra, mas depois compreendeu terem ambas sucumbido ao objeto, e, estando todo interesse concentrado nele, qualquer um faria a mesma foto.

São coisas que acontecem. E acontecem porque o fotógrafo entrega ao objeto interessante a sua fotografia. Muitos fotógrafos agem como caçadores de objetos interessantes, como se isso fosse fotografar, e as fotos resultantes dessa caçada pouco mais contém que próprio objeto. Quem fez a foto? O objeto? E no caso das duas mulheres, quem fez o vestido? O que temos nesses casos são fotografias com escassa construção fotográfica, temos “atos de registro”.

Porque parece haver na fotografia uma polaridade. Um dos pólos é o objeto, o referente. O outro o ato fotográfico. Nesses casos, temos um referente ativo em demasia, e um ato fotográfico apassivado. Muitas fotografias são assim. Não notamos nelas uma narrativa consistente, um ponto de vista, algo que só esteja na fotografia, não esteja no objeto. O que há nessas fotografias é o mesmo que havia lá fora da câmera escura.

Um fato pode ser contado de muitas maneiras, e todos conhecemos bons contadores de casos. O mesmo caso pode ser maçante ou interessante, dependendo de quem conta. Assim também na fotografia. É na narrativa que a fotografia ganha autonomia e torna-se diferente de uma pura reprodução de algo.

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Veja também :

Fotografia em Palavras – teoria fotográfica
http://br.groups.yahoo.com/group/fotografiaempalavras/


ABC da fotografia em RAW

http://123rawfotos.wordpress.com/

Camera Obscura
http://camaraobscura.fot.br/