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epitáfio para o corpo Aqui jaz um grande poeta. Nada deixou escrito. Este silêncio, acredito, são suas obras completas. (Paulo Leminski)
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epitáfio para a alma aqui jaz um artista mestre em desastres viver com a intensidade da arte levou-o ao infarte deus tenha pena dos seus disfarces (Paulo Leminski)
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Documento do imaginário social
No início dos anos 60, um livro escrito pelo sociólogo francês Pierre Bordieu, Un Art Moyen: Essais Sur Les Usages Sociaux de La Photographie (sem tradução, mas seria mais ou menos Os Usos Sociais da Fotografia), trazia à tona a questão da fotografia como um meio de integração social e uma forma de nos ajudar a compreender papéis dentro de uma sociedade. Ou seja, a maneira como uma sociedade cria por meio de imagens uma imagem de si própria. A idéia da representação de um cotidiano, mas também de ritos sociais.
Nessa linha, a discussão do imaginário da e na fotografia é o que o sociólogo José de Souza Martins trabalha. E não é de hoje. Seu mais recente livro, Sociologia da Fotografia e da Imagem (reunião de textos já apresentados em congressos ou publicados parcialmente em outras obras, resultado também das reflexões debatidas em seu curso de Sociologia Visual, ministrado na USP, de 2000 a 2002), trata e discute justamente esta questão – a falácia da credibilidade ou imparcialidade fotográfica.
A fotografia inventada dentro de uma época positivista – primeiras décadas do século 19 – criou e referendou sua posição como espelho do real, mimese de um mundo sem nenhuma interferência de um olho pensante, a falsa idéia de um registro documental isento: prova de um discurso oral ou escrito. Contra essa crença, vários pensadores da fotografia tentaram se insurgir e, dentro dessas linhas de pensamento, também a sociologia.
Ao tecer textos trazendo a fotografia como protagonista e não apenas como suporte de outras formas de expressão, o autor demonstra que “o icônico é essencialmente expressão de uma necessidade do imaginário, uma linguagem e um discurso visual”.
Rebate a idéia de que a fotografia “congela” momentos, deixando bem claro que é o contrário: cada imagem narra ou cria uma história. Uma conversa árdua, visto que há muito pouco as ciências sociais passaram a se interessar na fotografia como documento por si só, como portadora de uma narrativa própria que é criada dentro de circunstâncias sociais. O que ele defende é o reconhecimento da imagem como documento do imaginário social e não como registro factual de uma realidade social. E muito menos como ilustração. Para quem quer estudar ou pensar fotografia – algo fundamental na sociedade contemporânea -, os textos de Martins são fundamentais. Não entregam receitas de leitura ou compreensão da imagem, mas nos instigam a pensar em seu papel como representante da imaginação coletiva de determinado momento social.
Como todo cientista, parte de uma pergunta, de uma dúvida: “Quanto há de testemunhal numa fotografia? Quem nos garante que a fotografia formalmente similar e precisa, e aparentemente objetiva (o que foi fotografado era o que estava lá, nem mais nem menos), é o documento verdadeiro do que as pessoas vêem, e sobretudo sentem, pensam, fazem e são?”
Assim, ao começar o livro trazendo a discussão da fotografia e vida cotidiana, ele apresenta um filme emblemático para muitos fotógrafos. Blow Up, de Antonioni, realizado em 1966 e que no Brasil estranhamente recebeu o nome de Depois Daquele Beijo. É nessa obra de ficção que a polissemia fotográfica aparece com força e, como bem lembra Martins, não é porque uma obra é ficcional que ela é menos real. Portanto, uma interpretação de um real que não se deixa simplesmente congelar ou aprisionar, mas que a cada olhada nos permite novas significações, novas possibilidades para entender representações da sociedade num certo ou determinado período sócio-histórico.
Para além do cotidiano, existe a questão dos ritos da sociedade, formas que a ajudam a se estruturar e o autor nos apresenta um belo ensaio sobre as fotografias dos atos de fé no Brasil, realizado por cinco fotógrafos com olhares diferentes sobre essas questões. Ao tentar analisar essas imagens, Martins nos traz para a questão da imaginação fotográfica, dos vários modos de ver, que pertencem à imaginação do fotógrafo, mas também à imaginação de quem decifra imagens. Discussão que leva também ao terceiro texto, onde analisa o trabalho do fotógrafo Sebastião Salgado, mais especificamente seu ensaio Êxodos. E, aqui, surge o tão falado embate entre documentação e estética, como se uma fosse excludente da outra, idéia com que Martins não concorda. Claro que existe sempre uma busca, ou melhor, uma narrativa estética ao se criar um discurso, seja ele qual for. Assim como no primoroso ensaio O Impressionismo na Fotografia e a Sociologia da Imagem, em que podemos ver com mais vigor sua idéia da necessidade de aprender a ver.
E, para não ficar somente na teoria, Martins nos apresenta num dos capítulos do livro seu ensaio fotográfico sobre o Carandiru durante o processo de desativação do prédio. Um estudioso que tem as duas visões da análise imagética: a teoria e o fazer. “Decifrar o que se esconde por trás do visível ou do fotografável continua sendo um desafio para os cientistas que se documentam com expressões visuais da realidade social.”
Na tessitura de seu pensamento – formado, aliás, com muitos estudos sobre história da fotografia e fotógrafos -, Martins nos chama atenção para a necessidade de uma sociologia do conhecimento visual para aprender a ler e interpretar imagens, em especial a fotográfica: “Sociólogos e antropólogos precisam muito mais do que uma foto para compreender o que uma foto contém.” E assim é, pois desde muito alguém já nos disse que a fotografia é um tipo especial de conhecimento.
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(Simonetta Persichetti é jornalista, mestre em Comunicação e Artes e doutora em Psicologia Social.
Escreve sobre fotografia há 30 anos, colaborou com revistas como Íris Foto e Paparazzi. Publicou dois livros: Imagens da Fotografia Brasileira 1, em 1997 e, Imagens da Fotografia Brasileira 2, em 2000. O primeiro livro recebeu o Prêmio Jabuti 1999, na categoria Reportagem. Durante seis anos (1996-2001) escreveu sobre fotografia para o jornal Estado de S. Paulo.
Foi também editora de conteúdo do FOTOSITE, portal de fotografia, e editora de texto da revista REF, da Abrafoto (Associação Brasileira dos Fotógrafos de Publicidade.)
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No retrato que me faço
– traço a traço –
Às vezes me pinto nuvem,
Às vezes me pinto árvore…
Às vezes me pinto coisas
De que nem há mais lembrança…
Ou coisas que não existem
Mas que um dia existirão…
E, desta lida, em que busco
– pouco a pouco –
Minha eterna semelhança,
No final, que restará?
Um desenho de criança…
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Mostra reúne 70 fotografias com imagens da vida cotidiana da região de Andalucia, na Espanha
De 22 de janeiro a 5 de março, as instituições espanholas Instituto Cervantes de Belo Horizonte, a Embaixada da Espanha/Centro Cultural da Espanha em São Paulo da Agência Espanhola de Cooperação Internacional para o Desenvolvimento (Aecid), trazem pela primeira vez ao Brasil a exposição do fotógrafo e etnólogo Pierre Verger – Andalucía 1935. Na ocasião, estarão expostas 70 fotografias em branco e preto no formato 60×73cm que retratam imagens da vida cotidiana da região de Andalucía, localizada na Espanha, durante o verão de 1935, às vésperas da Guerra Civil Espanhola. A exposição será realizada no Museu Inimá de Paula, localizado na Rua da Bahia 1201, Centro, em Belo Horizonte (MG).
A abertura da exposição será realizada na quarta-feira, dia 21 de janeiro, às 19h30, com palestra ministrada pelo curador da mostra Jesús Cañete. Ele irá falar sobre “1935 – Pierre Verger em sua trajetória pela Espanha” no Cine Auditório do Museu Inimá de Paula. A entrada é franca.
Pierre Verger
Pierre Verger, fotógrafo, etnólogo e viajante incansável dedicou sua vida e obra fundamentalmente ao estudo das sobrevivências culturais das populações da África Negra em seu continente de origem e na diáspora africana na América. Antes de começar suas pesquisas sobre as culturas africanas, pesquisadores da Fundação Ceiba encontraram no arquivo do fotógrafo uma ingente quantidade de imagens da Espanha, especialmente de sua estada em Andalucía e, posteriormente, nos diversos países ibero-americanos.
Esta mostra tem um enorme valor testemunhal porque, surpreendentemente, alguns registros fotográficos de grande qualidade de um autor tão transcendental (reconhecido internacionalmente, além de estudioso das culturas africanas, como um fotógrafo excepcional), passaram despercebidos e praticamente desconhecidos até que foi possível realizar esta exposição pela primeira vez em Sevilha, no ano de 2006, e planejar sua posterior itinerância.
SERVIÇO:
Exposição Pierre Verger – Andalucía 1935
Data para visitação: 22 de janeiro a 05 de março
Local: Museu Inimá de Paula
Endereço: Rua da Bahia, 1201, Centro- Belo Horizonte – MG
Horário: Terças, quartas e sextas-feiras: 10h às 19h
Quintas-feiras: 10h às 21h
Sábados: 10h às 18h
Preço de ingresso do Museu:
R$ 5,00 (inteira)
R$ 2,50 (meia) – estudantes identificados
Entrada Franca – menores de 12 anos e maiores de 65 anos
Abertura da exposição
Data: 21 de janeiro (quarta-feira)
Horário: 19h30
Palestrante: Jesús Cañete, curador da mostra
Tema da palestra: Conferência 1935 – Pierre Verger em sua trajetória pela Espanha.
Entrada franca
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São Sebastião nasceu em Petrória, na Itália, de acordo com Santo Ambrósio, por volta do século III. Pertencente a uma família cristã, foi batizado em criança. Mais tarde, tomou a decisão de engajar-se nas fileiras romanas e chegou a ser considerado um dos oficiais prediletos do Imperador Diocleciano.
Em certa ocasião, Sebastião foi denunciado, pois estava contrariando o seu dever de oficial da lei. Teve, então, que comparecer ante o imperador para dar satisfações sobre o seu procedimento.
Diante do Imperador, Sebastião não negou a sua fé e foi condenado à morte, sem direito à apelação. Amarrado a um tronco, foi varado por flechas, na presença da guarda pretoriana. No entanto, uma viúva chamada Irene retirou as flechas do peito de Sebastião e o tratou.
Assim que se recuperou, demonstrando muita coragem, se apresentou novamente diante do Imperador, censurando-o pelas injustiças cometidas contra os cristãos, acusando-o de inimigo do Estado. Perplexo com tamanha ousadia, Diocleciano ordenou que os guardas o açoitassem até a morte. O fato ocorreu no dia 20 de janeiro de 288.
São Sebastião é um santo muito popular e padroeiro do município do Rio de Janeiro, dando seu nome à cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro e é o protetor da Humanidade contra a fome, a peste e a guerra.
Oxóssi é o Orixá masculino iorubá responsável pela fundamental atividade da caça. Por isso na África é também cultuado como Ode, que significa caçador.
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Versos do meu amigo e poeta, João Evangelista Rodrigues:

“ô de casa, ô de fora!
eu agora vou me embora
vou cantar em outra casa

vou comer em outra mesa
sete anos mais além.

coloridas de beleza

o amor não bate asa:
até o ano que vem!”
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Ó de casa, ó de casa
Alegra esse moradô
Que o glorioso santo Reis
Na sua porta chegô!

Sôr dono da casa
Alegra o seu coração
Arreceba santo Reis
Com todos os seus folião.

Santos Reis vai despedindo
Deixando muita saudade.
Vai deixando muita benção
Pro povo desta cidade.
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Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimavva, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.
(Carlos Drummond)
