Arquivado em: consuelo abreu, fotografia | Tags: consuelo abreu, fotografia, Matição, Mato do Tição, quilombo, São João
Mato do Tição, também conhecida por Matição, é uma comunidade de negros, distante 4km da sede de Jaboticatubas. Ali impera uma tradição das mais antigas de nossa terra: O passar na fogueira de São João.
A festa se reveste de um ritual peculiaríssimo e que vem passando de geração a geração. Com a morte de João Pinto, a festa continua a ser organizada pela viúva, Divina de Siqueira.
A comemoração se realiza na noite de 23 para 24 de junho, quando se celebra o dia de São João. A programação tem pontos fixos e os horários costumam ser seguidos com rigor.
Às 22h30min, inicia-se a reza em homenagem a São João e em intenção dos donos da casa.
Às 23h30min, é levantado o mastro com a bandeira de São João. Este levantamento é feito ao som do “Candombe” que é uma dança de origem africana, onde é invocada a proteção do Santo e de Nossa Senhora. Todos dançam e cantam: homens, mulheres, crianças, jovens e velhos. Segundo os organizadores, as letras dos cantos são originadas do latim. O que se nota é que a letra, hoje, se tornou indecifrável, naturalmente pela percepção dos transmissores e receptores da tradição oral em sua simplicidade. Além da sua beleza rude e primitiva, as danças e os cânticos são acompanhados por instrumentos característicos. Usa-se o Tambú, a Caixa, o Guaiá e a Puíta. As evoluções são feitas através dos gingados do corpo, acompanhados pelo ritmo quente e místico da marcação.
À meia noite, vem a parte característica, curiosa e impressionante da manifestação. A fogueira é desfeita e as brasas vivas espalhadas pelo chão, formando uma esteira chamejante de vários metros de comprimento. Inicia-se o ritual, que antes de ser uma manifestação de exibicionismo, pretende ser uma manifestação de fé. Depois de se benzerem gritando “Viva São João”, passam sobre a passarela de brasas . Em seguida, passam os parentes, amigos e todos que se sentirem dispostos e com fé suficiente. Durante toda a passagem o “Candombe” continua com seus cantos e danças.
Depois que todos os corajosos passam, a brasa é novamente ajuntada e o “Candombe” dá lugar ao Batuque. O Batuque é também uma dança africana que difere do “Candombe” nos instrumentos e por ser uma dança de casais.



















3 Comentários até agora
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Consu…. que coisa mais mágica!
Comentário por marinafavato Junho 23, 2009 @ 1:05 pmMaravilhoso trabalho sempre admirei pessoas que deixam do seu precioso tempo para valorizar o temo dos outros parabens Consuelo Abreu
Comentário por Dulinho Junho 24, 2009 @ 6:31 pmConsuelo, a história contada, documentada, com habilidade, mostra tradições e crenças que vem se perdendo em função de uma cultura globalizada, que apaga nossas raízes. Lindo o seu trabalho. Pena que poucos, tem acesso e tempo para observá-las. Parabéns!
Comentário por Gellinho Julho 4, 2009 @ 10:58 am